Até o final de agosto, 43,8 milhões de brasileiros haviam realizado apostas em plataformas de bets, conforme dados divulgados pelo Ministério da Fazenda através da Lei de Acesso à Informação. Essa quantidade representa 27% da população adulta do país e um crescimento impressionante de 75,2% se comparado aos 25 milhões registrados no final de 2025.
O relatório também aponta que a receita gerada pelas plataformas autorizadas pelo governo cresceu 5,9% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. No entanto, o saldo negativo enfrentado pelos apostadores nos primeiros seis meses chegou a R$ 20,2 bilhões, um aumento em comparação aos R$ 19,1 bilhões registrados entre janeiro e junho de 2025.
Dario Durigan, ministro da Fazenda, comentou sobre as discussões em andamento no governo acerca de possíveis restrições às apostas e jogos online, incluindo plataformas como tigrinho e Aviator. Ele destacou a preocupação com o impacto das apostas na situação financeira das famílias brasileiras. “Estamos muito atentos ao custo de vida e à necessidade de proteger a renda das famílias”, declarou o ministro.
Apesar do crescimento no número total de pessoas cadastradas para apostas, o total de apostadores ativos nas plataformas caiu 7,6%, reflexo do aumento do endividamento familiar e limitações para beneficiários dos programas Bolsa Família, BPC (Benefício de Prestação Continuada) e Desenrola Brasil.
Em média, cerca de 8,5 milhões de brasileiros realizaram depósitos em apostas mensalmente durante o primeiro semestre deste ano, uma queda em relação aos 9,2 milhões registrados em 2025. Esses dados foram obtidos por meio do Sigap, sistema governamental que gerencia as apostas.
As informações abrangem as atividades das 85 empresas legalmente autorizadas e duas com permissão judicial para operar, sem incluir o jogo ilegal.
A Fazenda revelou que há aproximadamente 5 milhões de brasileiros impedidos de apostar — sendo 3 milhões beneficiários de programas sociais, 474 mil envolvidos em programas de renegociação de dívidas e 854 mil que solicitaram autoexclusão.
Copa do Mundo
No início deste ano, janeiro registrou um recorde com 10,2 milhões de apostadores ativos por mês devido ao começo dos campeonatos estaduais. Contudo, esse número caiu para 7,2 milhões em abril, pouco antes do lançamento do Novo Desenrola Brasil e com a inadimplência atingindo níveis alarmantes. O total voltou a crescer em junho, coincidentemente quando teve início a Copa do Mundo.
Embora tenha havido um aumento nas apostas em junho, isso não se traduziu em um crescimento significativo na receita das casas de apostas. Durante o torneio mundial da FIFA, as operadoras investiram pesadamente em campanhas publicitárias para aumentar sua visibilidade; isso pode incluir bônus promocionais que são contabilizados como deduções na receita.
Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun — uma empresa especializada em pagamentos no setor de apostas — afirmou que houve um aumento nas transações durante esse período. “Entretanto, o valor médio depositado por cada apostador não apresentou uma elevação significativa”, ressaltou. Ele observou ainda que o perfil dos apostadores tende a mudar durante eventos esportivos populares com a entrada de novos jogadores ocasionais.
Entre os apostadores ativos, os homens representam uma parcela significativa com 68,84%, enquanto as mulheres correspondem a 31,16%. A maior parte dos apostadores se encontra na faixa etária entre 31 e 40 anos (29,07%).
Receita
Analisando os dados semestrais entre os anos de 2025 e 2026, constatou-se que os depósitos nas plataformas caíram de R$ 99,2 bilhões para R$ 88,5 bilhões; igualmente houve redução nos prêmios pagos — passando de R$ 80,1 bilhões para R$ 68,3 bilhões.
A receita obtida pelas casas de apostas alcançou representatividade equivalente a 22,8% dos depósitos realizados. Esse percentual supera tanto a retenção máxima imposta pela legislação (15%) quanto a taxa informada pelo setor (7%), indicando uma tendência contínua das plataformas lucrarem mais ao longo do tempo sobre suas bases de jogadores.
Dado que os fundos disponíveis para os apostadores são limitados, essa retenção percebida pelas casas é efetivamente uma taxa implícita superior ao montante retido por cada rodada jogada.
Conforme as diretrizes estabelecidas pelo setor regulamentado, as casas mantêm aproximadamente 88% do faturamento gerado enquanto apenas 12% vão para a União e entidades beneficiadas pela legislação vigente; este percentual deverá aumentar para 13% neste ano e alcançará os 15% até 2028.
Ainda incidem impostos federais, estaduais e municipais sobre essas empresas. Documentos financeiros analisados revelam que algumas operadoras possuem margens lucros semelhantes às instituições financeiras tradicionais — cerca de 30%. A maior parte dos gastos dessas empresas é destinada a marketing e patrocínios; já os custos com pessoal são relativamente baixos devido ao tamanho reduzido das equipes.
