A produção agropecuária figura entre os principais focos do plano de governo apresentado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos candidatos à Presidência da República que lideram as pesquisas: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Durante a exposição de suas propostas para o futuro mandato, os cinco postulantes enfatizaram a importância do setor para garantir a soberania do país, assegurar a alimentação da população e fortalecer a imagem do Brasil no cenário internacional, além de ressaltar o impacto econômico do agronegócio no Produto Interno Bruto (PIB).
Os presidenciáveis concordam em diversos pontos, como a urgência de investir na produção interna de fertilizantes para diminuir a dependência externa, bem como na melhoria da infraestrutura para irrigação, armazenamento e rotas de escoamento das safras. Eles também destacaram o potencial do Brasil no mercado de biocombustíveis e a importância da transição energética, além da necessidade de modernização, conectividade e inovação tecnológica nas áreas rurais.
Os planos de governo também abordam a reestruturação dos investimentos públicos no setor por meio do Plano Safra. Confira as principais propostas apresentadas por cada candidato:
Lula
O atual presidente foca em fortalecer a agricultura familiar, uma bandeira histórica do PT. Para isso, Lula propõe expandir a reforma agrária em conjunto com a regularização fundiária e melhorias na infraestrutura rural.
No seu plano, ele sugere uma reestruturação do Plano Safra, transformando-o em um modelo plurianual que priorize tecnologias voltadas ao aumento da produtividade, como maquinário moderno e sistemas de irrigação. Com mais de 650 mercados abertos durante seu terceiro mandato, Lula acredita que uma imagem positiva do agronegócio pode atrair novos parceiros comerciais internacionais.
Diante das variações climáticas, o candidato propõe atualizar os seguros rurais e almeja que essas mudanças estejam alinhadas à sustentabilidade. Além disso, ele defende um maior investimento em biocombustíveis e na produção nacional de fertilizantes como maneiras de reforçar o setor.
Flávio Bolsonaro
Com o slogan “safra protegida é oferta garantida; oferta garantida é preço estável”, Flávio Bolsonaro busca proporcionar previsibilidade aos produtores. Entre suas prioridades estão a redução dos custos de transporte, ampliação do seguro rural e investimentos em irrigação e armazenagem. Para modernizar o campo, ele defende um aumento nos recursos direcionados à Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e à conectividade rural.
No tocante à soberania nacional, Flávio enfatiza o fortalecimento da produção interna de fertilizantes para diminuir as importações. Ele também propõe incrementar os investimentos em biocombustíveis para colocar o Brasil em destaque nesse mercado global.
No aspecto legal, o candidato pretende promover a regularização e titulação dos pequenos produtores e consolidar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) como um instrumento essencial para conservação ambiental.
Ronaldo Caiado
Com uma forte conexão com o agronegócio, o candidato do PSD dedicou uma seção específica do seu plano ao setor. Caiado visa integrar o agro ao mercado financeiro, ampliando as opções com Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) e debêntures como fontes alternativas de financiamento. Além disso, ele propõe reformular o Plano Safra com foco em um projeto plurianual que contemple investimentos em infraestrutura – especialmente irrigação e armazenagem – assim como na segurança rural.
O ex-governador defende ainda aumentar a conectividade no campo junto com investimentos em tecnologia e inovação para melhorar a produtividade nas áreas já consolidadas.
No âmbito internacional, Caiado vê oportunidades para o Brasil se destacar no mercado bioenergético, reduzindo sua dependência externa por fertilizantes e diversificando seus parceiros comerciais com base na sustentabilidade do agronegócio brasileiro.
Romeu Zema
O ex-governador mineiro também apresenta um capítulo dedicado ao agronegócio. Sua proposta central é eliminar as barreiras governamentais que dificultam o crescimento do setor, incluindo burocracia excessiva, problemas de infraestrutura e insegurança jurídica.
Nesse contexto, Zema defende ampliar os seguros rurais, melhorar as logísticas para escoamento das safras e simplificar os processos relacionados ao licenciamento ambiental. O candidato pelo partido Novo também aposta em investimentos tecnológicos e assistência técnica.
<pA nível internacional, seu plano inclui abrir novos mercados e diversificar as importações de fertilizantes enquanto aumenta os investimentos na produção nacional. Zema também destaca a importância da regularização dos títulos rurais e combate à grilagem para proteger as propriedades rurais.
Renan Santos
Com um foco especial no agro, Renan Santos do partido Missão ressalta a necessidade de agregar valor às cadeias produtivas seguindo exemplos bem-sucedidos como o setor sucroalcooleiro. Para isso, ele sugere criar Zonas Econômicas Especiais e linhas de crédito atreladas a metas produtivas específicas.
O candidato acredita que durante seu mandato será possível alinhar a produção agropecuária com inteligência artificial e tecnologias avançadas.
Santos também propõe garantir autonomia nacional na produção de fertilizantes através da implementação ampliada do Plano Nacional de Fertilizantes e explorando minerais estratégicos no Brasil para fabricação desses insumos. Isso inclui mudanças legais relativas às operações em terras indígenas.
Além disso, ele menciona iniciativas para combater invasões nas propriedades rurais visando restaurar segurança jurídica no campo enquanto se propõe auditar a produtividade das áreas destinadas à reforma agrária. Na área educacional, Renan defende uma nova abordagem cultural sobre o setor agrícola para valorizar ainda mais o agro entre as futuras gerações.
