Aumento de tarifas de Trump impacta 70% das exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul para os EUA

A partir da próxima quarta-feira (22), um novo aumento de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afetará 70,4% das exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul destinadas ao mercado americano. Esse percentual é mais que o dobro do que foi projetado para o setor em nível nacional, conforme análise realizada pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

Uma nota técnica divulgada recentemente pelo departamento de Assessoria Econômica da Farsul esclarece que essa alta concentração se deve à composição das exportações gaúchas, que depende fortemente de produtos que agora estão sujeitos à nova sobretaxa. A taxa adicional de 25%, anunciada recentemente sobre várias importações brasileiras, representa um desafio significativo.

O relatório, acessível no site farsul.org.br, indica que essa cobrança extra traz novos obstáculos para a balança comercial do estado. Enquanto a medida atinge 38% do valor total das exportações brasileiras para os Estados Unidos, totalizando US$ 14,3 bilhões, no Rio Grande do Sul esse índice sobe para impressionantes 79%, correspondendo a US$ 1,3 bilhão.

Tabaco, madeira e calçados

A estimativa de impacto tarifário (com base nos dados do ano anterior) pode alcançar até US$ 325 milhões nas exportações totais do estado e US$ 135 milhões especificamente no agronegócio. A Farsul destaca que entre os produtos mais afetados está o tabaco, que gera grande preocupação no setor.

O tabaco não manufaturado (tipo Virgínia) é o item mais vulnerável nesta lista, seguido por madeira serrada (Pinus), calçados de couro, fumo Burley e sebo bovino. Juntos, esses cinco produtos representam 64% da exposição total do agronegócio gaúcho às novas medidas tarifárias impostas por Trump.

Alívio parcial nas exceções

Uma lista ampliada de exceções em relação à versão preliminar divulgada em junho proporcionou um certo alívio. Produtos como ferro-gusa, couro bovino, pescados, mel orgânico, café solúvel sem sabor e sucata de ferro e aço foram excluídos da sobretaxa.

A nota técnica ressalta que a ampliação dessas exclusões diminuiu a carga total sobre o Brasil; a participação das exportações impactadas caiu de 43,7% para 38%. No caso específico do Rio Grande do Sul, essa porcentagem também diminuiu de 81,1% para 79%.

A Farsul adverte que os valores estimados de impacto tarifário não implicam necessariamente em prejuízos diretos equivalentes. As reações do mercado podem variar amplamente e incluem desde compressão das margens de lucro e repasse de custos até a busca por novos fornecedores ou mudanças nas rotas comerciais.

“O acompanhamento será essencial a partir da próxima semana. É crucial que produtores e exportadores estejam atentos não apenas à aplicação da medida na prática aduaneira, mas também a possíveis revisões que possam ocorrer e afetar contratos e a competitividade dos produtos gaúchos nos Estados Unidos”, conclui o comunicado.

(Marcello Campos)

By Portal de Canoas