Javalis são mapeados em áreas rurais pelo governo do Rio Grande do Sul

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) está convocando os agricultores do Rio Grande do Sul para colaborarem em uma pesquisa sobre a presença de javalis e seus efeitos. Os interessados têm até esta terça-feira (30) para preencher um questionário disponível através de um link no site agricultura.rs.gov.br.

O objetivo dessa pesquisa é coletar dados que ajudem o Serviço Veterinário Oficial a mapear e planejar ações voltadas à vigilância, prevenção e controle dessas espécies. As respostas serão fornecidas online e não terão natureza fiscalizatória.

A chefe da Divisão de Defesa Sanitária Animal da Seapi, Grazziane Rigon, destaca que “os dados obtidos dos produtores são cruciais para identificar as regiões afetadas pela presença de javalis e avaliar os riscos que esses animais representam para a agropecuária, o meio ambiente e a saúde animal.” Ela acrescenta: “As informações coletadas contribuirão significativamente para a proteção do rebanho, da produção rural e dos ecossistemas.”

Grazziane enfatiza também que a colaboração dos produtores é vital para aumentar o conhecimento sobre a presença de animais silvestres no Estado. A pesquisa representa uma ferramenta valiosa para aprimorar as estratégias de monitoramento e controle adotadas pelos órgãos responsáveis pela defesa agropecuária.

Os javalis são considerados altamente nocivos, pois se tratam de espécies exóticas invasoras que não têm predadores naturais e se reproduzem rapidamente. Originários de regiões da África, Ásia e Europa, esses “parentes” do porco comum ameaçam o meio ambiente, causam danos significativos à agropecuária, impactam os recursos hídricos e podem representar riscos à saúde pública. Seus principais efeitos incluem:

  • Destruição da agricultura: Eles reviram o solo, pisoteiam plantações como milho e soja, consomem sementes e devastam áreas inteiras, acarretando grandes perdas financeiras aos produtores.
  • Impacto ambiental severo: Os javalis destroem habitats naturais, competem por alimentos com a fauna nativa e predam pequenos animais. Além disso, suas escavações e pisoteios nascentes contribuem para o assoreamento de rios e aumentam a erosão do solo.
  • Transmissão de doenças: Funcionando como vetores de zoonoses perigosas (como tuberculose, brucelose, leptospirose e peste suína), eles representam uma séria ameaça sanitária tanto para rebanhos comerciais (suínos e bovinos) quanto para os seres humanos.
  • Agressividade e riscos à segurança: De grande porte e temperamento agressivo, esses animais podem atacar pessoas e animais domésticos além de causar acidentes em estradas rurais.

Declaração de rebanho

A respeito da Declaração Anual de Rebanho referente ao ano de 2026, o prazo foi estendido até 10 de julho deste ano em caráter excepcional. Essa prorrogação foi estabelecida pela Instrução Normativa nº 05/2026 publicada no Diário Oficial do Estado na segunda-feira (29). O documento é obrigatório para todos os produtores que mantêm animais sob a jurisdição da defesa sanitária no Rio Grande do Sul.

A entrega da Declaração pode ser feita presencialmente nas Inspetorias Veterinárias da Seapi ou através do site agricultura.rs.gov.br. Os produtores devem informar sobre os rebanhos existentes nas propriedades, incluindo bovinos, bubalinos, equinos, asininos, muares, ovinos, caprinos, suínos, aves, peixes, abelhas entre outras espécies listadas na legislação estadual.

As informações fornecidas pelos produtores são essenciais para atualizar o cadastro pecuário estadual, apoiar as atividades de vigilância sanitária e fortalecer as iniciativas de prevenção, controle e erradicação de doenças nos animais. Esses dados também auxiliam na rastreabilidade dos produtos rurais, melhorando a segurança sanitária e garantindo acesso aos mercados consumidores dos produtos de origem animal no Rio Grande do Sul.

(Marcello Campos)

By Portal de Canoas