Cooperativas ganham destaque na Fenasoja

A próxima edição da Fenasoja 2026 traz à tona uma transformação significativa que já estava em andamento no setor agrícola: o cooperativismo, antes um elemento secundário, agora se estabeleceu como a espinha dorsal da organização agropecuária regional.

Esse novo direcionamento é claramente refletido na programação do evento. A Comissão do Cooperativismo, liderada por Alexandre Dall’Agnese, conta com a participação de nove cooperativas — Coopermil, Cotrirosa, Sicredi, Sicoob, Cresol, Unimed, Cooperconcórdia, Unicooper e Cooperluz — que se uniram em uma agenda colaborativa voltada para inovação, capacitação e impacto social. O foco vai além da mera presença institucional; trata-se de uma verdadeira articulação entre as entidades.

A introdução da Casa do Cooperativismo, que concentrará diversas atividades durante toda a feira, ilustra essa nova abordagem. Mais do que um simples espaço para exposições, ela servirá como um ponto de encontro para uma agenda que integra formação, diálogo e relacionamentos — três elementos fundamentais para a competitividade no setor agropecuário atualmente.

A programação do evento reforça essa perspectiva.

No dia 6 de maio, o Encontro de Mulheres Cooperadas, organizado por Cresol e Cotrirosa, traz à tona um tema que tem ganhado relevância nos últimos anos: a inserção feminina nas decisões e na gestão do agronegócio. No dia seguinte, a formatura do programa Aprendiz do Campo da Cotrirosa aborda outra questão crítica: a renovação das gerações e a permanência dos jovens na agricultura.

Essa preocupação se intensifica no dia 8 de maio, quando o Programa de Cooperativismo Escolar (PCE), em colaboração com a Cooperluz, reúne aproximadamente 450 jovens. Essa quantidade expressiva demonstra uma estratégia bem definida de formação de base — uma prioridade crescente no setor diante do envelhecimento da população rural.

Pela tarde, o Encontro de Lideranças Cooperativistas, realizado em parceria com o Sistema Ocergs e a Organização das Cooperativas Brasileiras, amplia a discussão para um nível mais abrangente. A participação de Darci Hartmann indica que as conversas regionais estão alinhadas com uma agenda nacional cada vez mais focada em inovação e eficiência.

A ascensão do cooperativismo na feira reflete um fenômeno mais amplo dentro do agronegócio brasileiro. Nos últimos anos, o setor não apenas cresceu em escala como também enfrentou maiores pressões — seja por um crédito mais restrito, custos altos ou riscos climáticos crescentes. Nesse contexto desafiador, as estruturas cooperativas voltam a se destacar por sua habilidade em reduzir custos, facilitar o acesso a serviços e organizar cadeias produtivas.

A presença marcante do cooperativismo na Fenasoja não apenas aumenta sua visibilidade; também reitera sua relevância econômica. Em áreas como o Noroeste gaúcho, ele atua como uma infraestrutura vital: conectando produção, financiamento, assistência técnica e mercado.

A feira ocorrerá entre os dias 1º e 10 de maio no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson, em Santa Rosa, funcionando novamente como um termômetro para o setor. A maior visibilidade oferecida às cooperativas não é mera coincidência — representa um setor em reestruturação que depende cada vez mais de modelos coletivos para impulsionar seu crescimento.

No fim das contas, a Fenasoja não apresenta apenas uma agenda; é um reflexo de uma mudança estrutural significativa.

By Portal de Canoas