Autoridades com foro privilegiado e possibilidade de delação premiada de Daniel Vorcaro marcam desdobramentos no caso Banco Master

A nova fase das investigações sobre as fraudes do Banco Master promete abalar a política em ano eleitoral. Pessoas com acesso ao caso, que está sob sigilo, indicam que a apuração alcançou mais de uma autoridade com direito a foro especial no Supremo Tribunal Federal (STF). Diante da gravidade das descobertas, os investigadores não descartam a possibilidade de suspeitos buscarem acordos de delação premiada.

A legislação relativa à colaboração premiada impede que o líder de uma organização criminosa possa fazer um acordo. No entanto, existem dúvidas se Daniel Vorcaro ocupava essa posição no esquema do Master. Por isso, os investigadores consideram possível que a defesa do banqueiro possa procurá-los.

A informação de que a investigação atingiu autoridades com foro especial leva a algumas conclusões. A primeira é que o inquérito provavelmente permanecerá sob a competência do Supremo até sua conclusão. A segunda é que as investigações devem aumentar a tensão em Brasília até as eleições de outubro, com a possibilidade de o caso ser usado politicamente durante as campanhas.

Sob sua condução desde o mês passado, André Mendonça adotou um estilo diferente do relator anterior, Dias Toffoli. Mendonça assegurou autonomia para a Polícia Federal e o Coaf durante as investigações, o que, na avaliação dos investigadores, possibilitou avanços nas descobertas.

Pessoas com acesso ao caso acreditam que novas prisões serão decretadas. A perspectiva de exploração política do escândalo não deve influenciar nas medidas que serão tomadas. Ou seja, se uma prisão for considerada fundamental para o andamento do caso, ela será efetivada – mesmo que as campanhas eleitorais já estejam em andamento.

Mendonça terá a oportunidade de avaliar o apoio interno disponível para dar os próximos passos na próxima semana, quando a Segunda Turma do STF decidirá se mantém ou não as medidas determinadas na quarta-feira (4) – incluindo a prisão de Vorcaro.

Esta será a primeira manifestação pública de Toffoli sobre o assunto desde que deixou a relatoria do caso Banco Master. É provável que Mendonça conte com pelo menos três votos a favor das medidas – além do seu próprio voto, os de Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Dias Toffoli e Gilmar Mendes podem apresentar alguma divergência.

De maneira discreta, Mendonça optou por realizar o julgamento no plenário virtual em vez do físico. Dessa forma, evita que possíveis discussões acaloradas entre os ministros sejam transmitidas pela TV Justiça. (Análise por Carolina Brígido/O Estado de S. Paulo)

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