O café brasileiro deverá ficar mais barato nos supermercados a partir do segundo semestre de 2026, conforme projeção da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. Isso se deve à safra recorde no Brasil e ao aumento da produção em outros grandes países produtores, como Vietnã, Indonésia e Colômbia.
A expectativa é de que a maior oferta pressione os preços para baixo no atacado e contribua para a desaceleração da inflação do café ao longo do ano. Com a produção crescendo simultaneamente em diversos países, as pressões nas cotações internacionais devem ser aliviadas, uma vez que os estoques globais estão em níveis historicamente baixos.
A SPE prevê que a safra recorde no Brasil ajude a reduzir os preços no atacado, principalmente no segundo semestre de 2026, período de maior colheita. A queda nos preços deve ser gradual ao longo da cadeia produtiva, o que favorecerá a desaceleração da inflação do café ao longo do ano.
No entanto, a intensidade do repasse para os consumidores dependerá do câmbio e das exportações. Com um cenário de maior oferta no Brasil e nos principais produtores mundiais, a possibilidade de deflação nos preços do café em 2026 não está descartada.
O setor enxerga um ambiente mais estável após dois anos de dificuldades climáticas e quebra de safra. A expectativa de uma produção mais robusta e um clima favorável tendem a equilibrar o mercado e reduzir as oscilações no varejo, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café.
Apesar disso, variações pontuais ainda podem ocorrer ao longo da cadeia produtiva. Entre novembro e dezembro de 2025, o preço médio do café Tradicional e Extraforte recuou devido à queda no custo da matéria-prima naquele período.
O cenário para o café está inserido em um contexto de inflação mais moderada no país. A SPE projeta uma desaceleração do IPCA de 4,3% em 2025 para cerca de 3,6% neste ano, mas ainda há riscos de pressões nos preços dos alimentos ao longo do período.

