Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que mais de cinco mil produtos brasileiros terão imposto de importação zerado na União Europeia assim que o acordo entre Mercosul e União Europeia entrar em vigor.
De acordo com a CNI, mais da metade dos produtos negociados terão imposto de importação zerado na União Europeia logo na entrada em vigor do tratado. Por outro lado, o Brasil terá prazos mais longos para a redução tarifária no Mercosul.
Para a CNI, essa medida amplia o acesso do Brasil ao comércio global e coloca a indústria nacional em um novo patamar internacional.
Atualmente, os acordos comerciais preferenciais dos quais o Brasil participa cobrem aproximadamente 8% das importações globais de bens. Com o acordo com a União Europeia em vigor, esse número deve subir para 36%, considerando que o bloco europeu representou 28% do comércio global em 2024.
“O Brasil terá prazos mais longos para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos, entre 10 e 15 anos, assegurando uma transição gradual e previsível”, afirmou a CNI, garantindo uma transição considerada previsível para a indústria brasileira.
Indústria como protagonista no comércio Brasil-União Europeia
Os dados indicam que a indústria desempenha um papel importante no comércio bilateral entre Brasil e União Europeia, sendo que 46,3% das exportações brasileiras ao bloco europeu são bens industriais.
Considerando apenas os insumos industriais, a participação foi de 56,6% das importações e de 34,2% das exportações em 2024, destacando a complementaridade entre as economias e o papel do acordo na modernização da indústria nacional.
Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, correspondendo a 14,3% do total exportado pelo país e mantendo-se como o segundo principal mercado externo do Brasil.
No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, representando 17,9% do total, com 98,4% dos produtos provenientes da União Europeia sendo bens da indústria de transformação.
Negociações e detalhes do acordo
As tratativas para o acordo começaram em 1999 e passaram por diversas fases ao longo dos anos, prevendo a redução ou eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, com prazos diferenciados para setores sensíveis.
Os efeitos econômicos do acordo devem ser progressivos, à medida que as etapas de implementação forem concluídas e o acordo seja ratificado.
Ausência de Lula na cerimônia de assinatura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à cerimônia de assinatura do acordo no Paraguai, sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores. Antes da assinatura, Lula se reuniu com autoridades europeias no Rio de Janeiro, em um encontro interpretado como apoio ao acordo, mesmo sem sua presença na cerimônia formal.

