A alteração na jornada de trabalho, que encerra a escala 6×1, deverá trazer mudanças significativas para a rotina nos condomínios, impactando diretamente as taxas cobradas dos condôminos. Síndicos e administradores de prédios, tanto residenciais quanto comerciais, já estão se preparando para adequar o funcionamento desses espaços, visando proporcionar dois dias de descanso aos mais de 553 mil porteiros, zeladores e profissionais de limpeza em todo o país. Embora diferentes soluções estejam sendo estudadas, a expectativa é de que os custos aumentem.
De acordo com representantes de empresas do setor e entidades que administram condomínios, as estratégias a serem adotadas podem variar bastante entre os empreendimentos. Essa adaptação depende das especificidades de cada local e do comportamento dos moradores ou visitantes.
Os prédios que possuem funcionários próprios enfrentam um cenário mais complicado, pois muitos deles trabalham em turnos de oito horas por dia na escala 6×1. Sérgio Meira, diretor de Condomínios do Secovi-SP—sindicato que reúne empresas do setor imobiliário—afirma essa situação. Ele observa que a transição para uma nova forma de trabalho pode ser menos complexa para os profissionais de limpeza e zeladoria. A adequação pode ser realizada simplesmente acordando com os moradores sobre a possibilidade de ter menos funcionários em determinados dias ou até mesmo suspender as atividades de manutenção e limpeza ocasionalmente.
No entanto, a situação da portaria apresenta características distintas. Meira explica que num edifício onde há portaria 24 horas e seguindo o modelo atual (6×1), são necessários quatro porteiros: um para cada turno do dia e um adicional para folgas.
Assim sendo, ele sugere que uma alternativa seria contratar mais um profissional, o que aumentaria significativamente os gastos com pessoal—que já representam entre 50% e 65% das despesas totais do condomínio. Com essa contratação extra, Meira estima que o aumento nas despesas poderia resultar em um reajuste na taxa condominial entre 10% e 15%.
Outra possibilidade seria mudar a jornada para o modelo 12×36 (12 horas trabalhadas seguidas por 36 horas de descanso), mas essa alteração necessitaria da aprovação em assembleia e do consentimento dos funcionários.
“Iniciei conversas com alguns condomínios sob minha gestão e as equipes estão começando a aceitar essa proposta. É uma maneira de manter os colaboradores conhecidos e confiáveis sem incorrer em custos adicionais”, argumenta. “Entretanto, se for necessário demitir alguém que não concorde com a nova escala, isso também acarretará custos demissionais.”
Os empreendimentos que já operam com equipes no regime 12×36 enfrentarão alterações posteriormente. A Emenda Constitucional que extingue a jornada 6×1 também estabelece uma redução na carga horária semanal para 40 horas. Essa mudança será gradual: o limite será reduzido para 42 horas dois meses após a publicação da emenda e chegará a 40 horas um ano depois.
Ainda há incertezas no setor sobre possíveis regulamentações específicas antes da implementação dessas mudanças.
“Os síndicos já começaram a nos contatar para esclarecer como será esse novo cenário. Estamos aguardando definições para tomar decisões informadas. Contudo, já iniciamos nossos cálculos”, destaca Luiz Da Cal, gerente geral de Condomínios da Apsa, responsável pela gestão de três mil condomínios nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Bahia e Minas Gerais.
Uma alternativa considerada é terceirizar os serviços de portaria e limpeza, transferindo à empresa contratada a responsabilidade pelas escalas. No entanto, essa mudança também implica custos adicionais relacionados ao pagamento das verbas rescisórias dos atuais colaboradores.
No caso dos prédios que já contam com funcionários terceirizados, a dinâmica muda. Renato Alves, CEO da RS Serviços—empresa atuante na área de mão-de-obra e segurança patrimonial—explica que não há necessidade de ajustes nas escalas dos porteiros terceirizados, pois a maioria opera na jornada 12×36.
Pelo contrário, segundo Alves, o principal desafio será na área da limpeza, onde ainda se mantém a escala 6×1.
“As negociações precisam ser feitas individualmente, mas projetamos um aumento aproximado de 20% nos custos para o cliente. Estamos trabalhando rapidamente para efetuar as adaptações necessárias”, conclui.
