Nesta segunda-feira (26), o mercado financeiro brasileiro enfrentou uma de suas jornadas mais instáveis nos últimos anos, sendo este o primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar comercial saltou 8,21%, fechando a R$ 5,403. Por sua vez, o Ibovespa, que é o principal índice da Bolsa brasileira, despencou 13,88%, alcançando os 176.608,23 pontos. Essa acentuada desvalorização levou a B3 a interromper as operações por um período de 30 minutos, uma medida que não ocorria desde março de 2020, quando a pandemia de covid-19 provocou grandes oscilações no mercado.
A moeda dos Estados Unidos atingiu sua maior alta percentual diária desde janeiro de 1999, ano em que o Brasil abandonou o sistema de bandas cambiais. No decorrer do pregão, o dólar alcançou a cotação de R$ 5,605, após ter encerrado a última sexta-feira (23) com valor de R$ 4,993. Durante o dia, a moeda chegou a ser negociada a R$ 5,392 em seu menor valor.
Momentos de intensa pressão vendedora também marcaram a trajetória da Bolsa. O Ibovespa chegou a recuar mais de 15% durante as negociações, retrocedendo para a faixa dos 169 mil pontos. Essa queda superou o limite estabelecido pela B3 para a suspensão temporária das transações — um mecanismo conhecido como circuit breaker — que tem como objetivo conter movimentos abruptos e permitir que os investidores reavaliem suas estratégias antes da continuação das operações.
A reação negativa dos mercados foi desencadeada pela vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, onde obteve 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do seu concorrente. Esse resultado surpreendeu muitos investidores que haviam ampliado suas posições em ativos brasileiros na expectativa de uma vitória do candidato do PL. Após o anúncio do resultado eleitoral, muitos agentes financeiros começaram a desfazer essas operações.
Além disso, essa movimentação reflete as preocupações acerca dos rumos da política econômica do novo governo, especialmente em relação às contas públicas e à administração da dívida pública e das despesas governamentais. A incerteza quanto às futuras medidas fiscais aumentou a percepção de risco associada aos ativos brasileiros.
Aumento nas taxas de juros
A pressão observada no câmbio e na Bolsa não foi isolada; os contratos futuros de juros também apresentaram forte elevação, com algumas taxas subindo mais de dois pontos percentuais devido à reavaliação das expectativas dos investidores. A desvalorização do real levantou preocupações sobre possíveis impactos na inflação, pois um dólar mais alto encarece produtos importados e insumos utilizados pela indústria local.
Uma aceleração nos preços pode restringir as possibilidades de novos cortes na taxa Selic pelo Banco Central. Com os juros futuros elevados, as empresas enfrentarão custos mais altos para acessar recursos financeiros enquanto o crédito se tornará mais caro para consumidores e investidores.
O desempenho negativo dos ativos brasileiros contrasta com as bolsas americanas que fecharam em alta naquele dia. Esse movimento evidencia que a turbulência tem raízes predominantemente internas, fortemente ligadas à mudança nas expectativas políticas e econômicas após os resultados eleitorais.
