Um em cada cinco imóveis de padrão médio e alto enfrenta distratos no Brasil

Durante os primeiros seis meses de 2026, um em cada cinco imóveis nos segmentos de médio e alto padrão vendidos no Brasil sofreu um distrato. Informações da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) revelam que esses cancelamentos representaram 21% das vendas totais nesses setores, a maior taxa desde o primeiro semestre de 2020.

Esse aumento nos distratos reflete a realidade desafiadora vivida pela classe média, que enfrenta juros altos e um cenário de crédito imobiliário mais caro. O economista Rodger Campos, do Núcleo de Habitação, Real Estate e Regulação do Insper Cidades, observa que esse segmento não conta com subsídios governamentais, como é o caso do programa Minha Casa, Minha Vida ou iniciativas regionais como o Pode Entrar.

Além disso, Campos menciona o elevado nível de endividamento das famílias e o aumento dos custos na construção civil. Ele também destaca que atrasos na emissão de documentos necessários para a concessão de crédito, como o Habite-se, podem atrasar a entrega dos imóveis e o repasse do financiamento por parte das incorporadoras.

A Lavvi, por sua vez, reportou um crescimento de 82% nos distratos ao comparar os dados do primeiro semestre deste ano com o mesmo período em 2025. Em sua análise, a empresa afirma que os cancelamentos estão distribuídos entre diversos empreendimentos, sem uma concentração em projetos específicos.

No relatório da empresa, ficou evidente que as principais razões para os distratos foram o endividamento e as dificuldades financeiras enfrentadas pelos clientes, refletindo um ambiente macroeconômico complicado.

A Trisul também observou um aumento nos distratos, com uma elevação de 29,4% no mesmo período. A companhia atribui essa tendência ao maior número de entregas e repasses realizados no semestre, juntamente com as restrições na concessão de crédito imobiliário.

“Estamos passando por um momento intenso em termos de entregas; isso era algo esperado”, declarou a empresa durante uma teleconferência sobre seus resultados. “Monitoramos os distratos diariamente e reconhecemos os riscos envolvidos; no entanto, ainda não consideramos isso como uma questão crítica”, acrescentou.

As dificuldades no setor imobiliário também se manifestam através dos atrasos na entrega dos imóveis, gerando insatisfação entre os compradores. Na cidade de São Paulo, as reclamações contra construtoras relacionadas a esse problema vêm crescendo nos últimos três anos, conforme levantamento realizado pelo Procon.

No ano passado, foram registradas 785 reclamações referentes à demora na entrega dos imóveis. Em 2025, esse número aumentou para 1.194. Até o dia 12 de outubro deste ano, já haviam sido contabilizadas 1.296 queixas. Essas informações são extraídas do jornal O Estado de S. Paulo.

 

By Portal de Canoas