André Janones, deputado federal reeleito e um dos principais responsáveis pela militância digital em prol de Lula no segundo turno, conquistou seu assento na Câmara em 2018, após a divulgação de vídeos que apoiavam líderes de caminhoneiros. Ele admitiu ter cometido irregularidades financeiras em seu gabinete e atualmente é alvo de uma medida protetiva solicitada por sua ex-mulher.
Natural de Ituiutaba, cidade do Triângulo Mineiro, Janones, de 42 anos, entrou para a política pelo partido Avante. Sua ascensão se deu através da produção intensa de conteúdo nas redes sociais durante a greve dos caminhoneiros. Embora não consiga explicar como se tornou um estrategista digital, ele já realizava transmissões ao vivo por longas horas e utilizava o termo “urgente” para compartilhar informações relevantes.
Quatro anos após sua eleição inicial, ele se lançou como pré-candidato à Presidência, mas posteriormente decidiu apoiar Lula. Durante a campanha petista, assumiu a responsabilidade de amplificar a presença nas redes sociais e conseguiu ser reeleito como deputado.
Filho de uma empregada doméstica que o criou sozinha após a morte do pai quando ele tinha apenas dez meses, Janones é conhecido por seu estilo polêmico e autêntico. Esse comportamento lhe rendeu apelidos entre os petistas, como “cachorro louco”. No entanto, ele também enfrentou consequências legais: tornou-se réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por injúria contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e foi condenado a pagar danos morais por ofensas dirigidas aos apoiadores do ex-mandatário. Um exemplo disso foi o apelido “chupetinha”, atribuído ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
“Toda ação na vida tem suas consequências, e esse é o preço que se paga. Se eu estivesse no lugar deles (bolsonaristas), provavelmente reagiria da mesma forma”, declarou.
Em uma entrevista recente, Janones revelou que nunca teve formação acadêmica específica em estratégias digitais; todo seu conhecimento foi adquirido através da experiência prática ao longo dos anos. Ele mencionou ter recebido um diagnóstico de altas habilidades há seis anos, o que o ajudou a entender seu ritmo criativo acelerado. “Meu cérebro está sempre cheio de ideias, mesmo quando não quero pensar nelas; isso me impede de dormir direito”, compartilhou.
Durante sua campanha eleitoral mais recente, ele impulsionou um canal chamado “Exército do Lula”, que conquistou mais de 10 milhões de seguidores em menos de trinta dias. Esse sucesso despertou o interesse por parte de campanhas progressistas internacionais, incluindo a do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez.
Para lidar com a intensidade da vida pública, Janones busca manter um equilíbrio utilizando atividades como musculação, boxe, corrida e pilates. Além disso, ele se diverte dançando forró ocasionalmente e é um apreciador de cinema; identifica-se com a narrativa do filme “À Procura da Felicidade”, associando-a à sua própria história de superação.
Formado em Direito com bolsa parcial, trabalhou como cobrador de ônibus para custear seus estudos. Após concluir a graduação, dedicou-se a atender pessoas com baixa renda na área da saúde. Segundo ele, as dificuldades enfrentadas para garantir cumprimento das decisões judiciais foram motivadoras para adotar uma postura mais combativa nas redes sociais.
No ano de 2016, tentou uma vaga na Prefeitura de Ituiutaba sem sucesso e afirma ter perdido todo o investimento feito na campanha. Anos depois surgiram acusações relacionadas à prática de rachadinha em seu gabinete parlamentar para saldar dívidas eleitorais. Embora inicialmente tenha negado as alegações, acabou admitindo-as e firmou um acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para evitar enfrentar um processo criminal.
A ex-mulher dele, Leandra Guedes – atual prefeita de Ituiutaba – fez denúncias sobre ameaças relacionadas à divulgação não autorizada de imagens íntimas no final de 2024. O caso está sob sigilo judicial e resultou na concessão de uma medida protetiva que estabelece uma distância mínima de 300 metros entre os dois envolvidos. Janones negou as alegações na ocasião e afirmou ser vítima de uma armação.
Refletindo sobre sua trajetória pessoal e profissional, Janones reconheceu ter cometido erros ao longo do caminho e afirmou estar respondendo a processos devido a declarações das quais se arrepende: “Não sou um cidadão exemplar nem pretendo ser. Sou alguém que erra e acerta constantemente, aprendendo e evoluindo através dos meus erros”, concluiu.
