Iniciativa envolve investimento da CMPC, aumento na oferta de gás natural e estratégias para atrair data centers e serviços digitais
Na última sexta-feira, o governador Eduardo Leite apresentou ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, uma proposta de projetos que pode gerar aproximadamente R$ 28 bilhões em investimentos privados no Rio Grande do Sul. O encontro ocorreu na sede da Invest RS, em São Paulo, e teve como foco iniciativas nas áreas de indústria, infraestrutura, energia e tecnologia, consideradas essenciais para aumentar a competitividade da economia gaúcha.
Um dos principais pontos discutidos foi o Projeto Natureza, desenvolvido pela CMPC, que contempla a construção de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro. Com um investimento estimado em R$ 27 bilhões, esta obra se destaca como a maior entre as propostas apresentadas ao governo federal e tem o potencial de fortalecer a participação do Estado em uma das cadeias exportadoras mais significativas do Brasil.
A continuidade desse projeto está condicionada à finalização das etapas de licenciamento ambiental. Neste momento, a expectativa gira em torno da manifestação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), que é essencial para que a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) possa conceder a licença prévia necessária para o empreendimento.
“Discutimos sobre os grandes projetos que estão sendo viabilizados no Estado com foco em investimentos. Abordamos o projeto da celulose da CMPC e estamos monitorando o desfecho das negociações da empresa com a Funai. Nossa expectativa é que isso se resolva nos próximos dias”, declarou Leite.
Além da nova unidade industrial, a empresa planeja construir um terminal próprio no Porto do Rio Grande para otimizar a operação logística do projeto. A fábrica terá uma capacidade projetada de produção de 2,5 milhões de toneladas de celulose anualmente, aumentando assim o perfil exportador do Estado e promovendo um incremento na movimentação portuária.
Durante a reunião também foi abordada a criação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Serviços e Infraestrutura Digitais no Rio Grande do Sul. Essa proposta visa atrair investimentos voltados para data centers, computação em nuvem, inteligência artificial e processamento de dados destinados à exportação.
Nesta semana, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico anunciou o termo de referência para selecionar uma empresa privada que será responsável por auxiliar na estruturação dessa iniciativa. Segundo o modelo sugerido, tanto a implantação quanto as operações deverão ser financiadas pelo setor privado sem qualquer aporte direto do governo estadual.
“A previsão é que até dezembro tenhamos uma empresa privada escolhida para ajudar na estruturação do projeto que será apresentado ao conselho nacional encarregado da análise das Zonas de Processamento de Exportação. Compartilhei com o vice-presidente os detalhes dessa iniciativa”, informou o governador.
A estratégia do governo é posicionar o Rio Grande do Sul em um setor que tem recebido investimentos crescentes globalmente, impulsionado pela expansão da inteligência artificial e pela crescente demanda por capacidade de processamento e armazenamento de dados.
Outro assunto discutido com Alckmin foi um projeto desenvolvido em parceria com a EDGE, parte do grupo Compass, voltado para aumentar a oferta de gás natural no Estado. O memorando assinado entre as partes estabelece aprofundar os estudos para implementar um terminal de gás natural liquefeito (GNL) no Porto do Rio Grande.
Esta ação pode mobilizar até R$ 1 bilhão em investimentos e criar uma nova alternativa energética para o mercado gaúcho. Segundo os representantes do governo estadual, ampliar a infraestrutura relacionada ao gás natural é crucial para elevar a competitividade industrial e atrair novos empreendimentos.
A disponibilidade energética tornou-se um fator cada vez mais relevante nas decisões sobre investimentos, especialmente em projetos industriais e atividades intensivas em tecnologia. Nesse sentido, ampliar a oferta de gás é considerado pelo governo gaúcho como uma estratégia fundamental para fomentar o crescimento econômico sustentável ao longo prazo.
Leite e Alckmin também discutiram sobre a possibilidade de prorrogar o prazo referente à suspensão dos pagamentos da dívida estadual com a União. Essa medida permitiu criar o Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), cujo objetivo é aumentar a capacidade financeira para projetos estratégicos de irrigação visando mitigar os impactos das estiagens na produção agropecuária.
Apesar dos diferentes estágios dos projetos apresentados, todos eles compartilham um objetivo comum: elevar a competitividade do Rio Grande do Sul através da atração de capital privado e expansão da infraestrutura produtiva. A agenda discutida com o vice-presidente abrange setores como indústria exportadora, energia, logística, tecnologia e irrigação e reflete os esforços do Estado para estabelecer condições favoráveis ao investimento robusto nos próximos anos.
