Energia sustentável, financiamento e relações internacionais: os pilares da nova estratégia agrícola

A intersecção entre a restrição de crédito, a ascensão da bioenergia, a transformação digital e a intensificação da competição global por alimentos está alterando significativamente a função das empresas cerealistas no Brasil. Historicamente ligadas à armazenagem e comercialização de grãos, essas organizações agora desempenham um papel crucial em uma rede que abrange produção, logística, indústria, mercado financeiro e exportações.

Esse fenômeno será o tema central do 4º Congresso Cerealista Brasileiro, organizado pela Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (ACEBRA), que ocorrerá de 11 a 13 de novembro de 2026, no Costão do Santinho, em Florianópolis. Com o título “Grãos, Mercados e Energia: o Brasil no Centro da Nova Economia Mundial”, o evento reunirá mais de 50 especialistas, empresários, representantes governamentais e líderes do agronegócio para debater os desafios e as oportunidades que moldarão o setor nos próximos anos.

O congresso coincide com um período crítico para a agricultura brasileira. Após anos caracterizados por flutuações nos custos, dificuldades financeiras e mudanças nas regulamentações em mercados consumidores relevantes, há uma crescente percepção de que a competitividade do Brasil dependerá menos da ampliação da área cultivada e mais da habilidade de agregar valor à produção já existente.

Nesse cenário, áreas como armazenagem, logística, financiamento, industrialização, rastreabilidade e bioenergia estão ganhando cada vez mais destaque. Essas dimensões são fundamentais para posicionar os cerealistas como agentes essenciais na economia agrícola.

No encontro, temas como endividamento do setor cerealista, opções de financiamento, governança corporativa, reforma tributária, infraestrutura logística, mercado de carbono, fertilizantes, biocombustíveis e inteligência artificial serão discutidos. A influência da geopolítica sobre o comércio global de grãos também estará em pauta.

A questão do crédito deverá atrair especial atenção durante as discussões. O aumento dos custos financeiros e a diminuição dos recursos subsidiados têm intensificado a busca por opções privadas de financiamento. Alternativas como instrumentos estruturados, mercado de capitais e fintechs especializadas estão se destacando como soluções para viabilizar investimentos e assegurar liquidez ao setor.

Simultaneamente, o crescimento da bioenergia introduz uma nova dinâmica na cadeia produtiva dos grãos. A expansão do biodiesel e do etanol feito a partir do milho eleva a demanda interna e reforça uma agenda focada na adição de valor. O país busca não apenas exportar commodities, mas também aumentar sua participação em setores industriais que possam gerar emprego e desenvolvimento regional.

Essa transformação acontece em um contexto internacional cada vez mais complexo. Questões relacionadas à segurança alimentar, transição energética e reestruturação das cadeias globais de suprimentos têm elevado a importância estratégica dos grãos. O Brasil se firmou como um dos principais fornecedores globais de soja e milho, tornando-se essencial para o abastecimento de diversos mercados ao redor do mundo.

<pEspecialistas afirmam que o futuro crescimento do agronegócio está atrelado à integração entre produção agrícola, indústria e inovação tecnológica. A habilidade de melhorar armazenamento, aumentar processamento e atender às demandas dos mercados internacionais será crucial para manter a competitividade brasileira.

Para Jerônimo Goergen, presidente da ACEBRA, é fundamental adotar uma abordagem abrangente para enfrentar os desafios da cadeia produtiva.

“Estamos unindo esforços entre produtores rurais, indústria, mercado financeiro e governo para discutir as questões reais do setor. O cerealista desempenha um papel estratégico ao conectar agricultores com os mercados. Nosso objetivo é abordar problemas concretos do setor e desenvolver uma agenda focada no crescimento sustentável”, declara.

Goergen também destaca a urgência em aumentar a agregação de valor dentro do país.

“É essencial que o Brasil converta sua vasta capacidade produtiva em progresso econômico. O fortalecimento das empresas cerealistas juntamente com inovação tecnológica e industrialização são cruciais nesse processo”, afirma.

Com 21 painéis temáticos programados ao longo dos três dias do evento, o Congresso pretende se estabelecer como um importante fórum nacional para discutir o futuro dos grãos, energia renovável e mercados agroindustriais.

A mensagem central da programação é clara: em um cenário global marcado por transformações geopolíticas e busca por segurança alimentar na transição energética, os grãos deixaram de ser meras commodities. Eles se tornaram ativos estratégicos na economia mundial. E os cerealistas almejam ocupar um papel central nessa nova era de crescimento.

Serviço

* 4º Congresso Cerealista Brasileiro
* Data: 11 a 13 de novembro de 2026
* Local: Costão do Santinho, Florianópolis (SC)
* Realização: ACEBRA – Associação das Empresas Cerealistas do Brasil
* Tema: Grãos, Mercados e Energia: o Brasil no Centro da Nova Economia Mundial
* Inscrições e informações: https://acebra.gosh.ag

By Portal de Canoas