Nomes de Roberto Campos Neto, Daniella Marques e Marcelo Kayath ganham destaque como possíveis ministros da Fazenda em uma administração Flávio

Flávio Bolsonaro, candidato do PL, avançou para o segundo turno após concluir o primeiro com 47,03% dos votos válidos, superando os 45,16% que o presidente Lula, do PT, obteve. O senador está cercado por pelo menos cinco grupos distintos que competem por espaço em um possível ministério de seu futuro governo. Enquanto alguns desses grupos têm acompanhado Flávio desde a campanha inicial, outros se aproximaram mais intensamente na última semana.

O primeiro grupo a ser mencionado é o da área econômica, que inclui nomes associados ao ex-ministro da Economia Paulo Guedes e representantes do centro financeiro de São Paulo, conhecido como Faria Lima. Em seguida, há um grupo formado por membros de partidos do centrão e políticos ligados especialmente ao setor agropecuário.

Além disso, faz parte da composição o núcleo familiar de Flávio, que reúne aliados mais leais ao bolsonarismo. O quarto grupo é composto por pessoas ligadas a Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo. Tarcísio tem demonstrado um apoio mais ativo a Flávio nos últimos dias, realizando viagens a Brasília e Goiânia para intensificar sua colaboração nas eleições.

Por último, há um conjunto de nomes externos que Flávio está considerando, embora esses indivíduos não tenham histórico prévio na política. A campanha de Lula busca criticar essa movimentação dos adversários: “Ainda nem ganhou a eleição e já está fazendo um loteamento do governo. Não funciona assim”, afirmou Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e concorrente derrotado por Tarcísio em São Paulo, durante uma ação de panfletagem na Avenida Paulista na quinta-feira (8).

No campo econômico, Daniella Marques e Adolfo Sachsida, ambos ex-integrantes da equipe de Guedes, foram mencionados como possíveis candidatos para assumir os ministérios da Fazenda ou Planejamento. Alexandre Ywata, que assumiu a Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade após a saída de Marques para chefiar a Caixa Econômica Federal, também deve integrar a equipe caso Flávio seja eleito. Mansueto Almeida, que foi secretário do Tesouro e atualmente trabalha no BTG Pactual, também figura nas listas de possíveis nomeações.

Daniella Marques havia manifestado anteriormente sua preferência por outro cargo ao invés da vice-presidência e agora é cogitada para liderar alguma pasta na área social. Isso abre espaço para outros candidatos emergirem. Um deles é Marcelo Kayath, ex-diretor do Credit Suisse que recebeu Flávio em um jantar com banqueiros durante a campanha; ele já se declarou contrário à ideia do ‘Posto Ipiranga’, referindo-se ao superministério proposto por Guedes. Apesar disso, fez questão de reconhecer as contribuições do ex-ministro durante uma entrevista na quarta-feira (7).

Outro nome mencionado para o Ministério da Fazenda é Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central e atualmente no Nubank. Apesar das críticas à sua gestão pela fiscalização do Banco Master, ele continua sendo cogitado. Alexandre Bettamio do Bank of America também aparece na lista.

Além das movimentações no setor econômico, o centrão se organizou em torno de Flávio durante esta semana e começou a divulgar nomes para uma possível administração. O candidato já conta com apoio formal dos partidos PP, União Brasil, Republicanos e Podemos e deve receber respaldo oficial de algumas seções do MDB.

A senadora Tereza Cristina (PP), que ocupou o Ministério da Agricultura sob o governo Bolsonaro, foi citada como uma possível candidata tanto para a Casa Civil quanto para o Itamaraty. No entanto, Rogério Marinho (PL-RN), senador e coordenador da campanha de Flávio é outro concorrente forte para assumir a Casa Civil.

No União Brasil, Mauro Mendes —senador eleito e ex-governador de Mato Grosso— é visto como um potencial nome para liderar o Ministério da Agricultura; Ronaldo Caiado (PSD), que também declarou apoio a Flávio pode ser considerado nessa pulbituração ministerial.

No Podemos existe uma expectativa em torno de um convite à presidente Renata Abreu; contudo ainda não há definição sobre qual pasta ela poderia ocupar. A bancada desse partido foi uma das que mais cresceu recentemente.

Dentro do Republicanos em São Paulo existe um desejo entre seus membros pela indicação de Marcos Pereira —presidente da sigla— ao STF. Em conversas com auxiliares da Folha em São Paulo ficou claro que Tarcísio estaria apto a indicar pessoas para um futuro governo separado das indicações do Republicanos; ele indicou essa possibilidade logo após as eleições ao dizer estar preparado para sugerir nomes que fazem parte do Governo paulista.

Guilherme Derrite (PP), senador mais votado do país seria uma das opções para ocupar o Ministério da Segurança Pública caso haja separação dessa pasta com o Ministério da Justiça. Renato Feder —secretário estadual da Educação— também foi mencionado como cotado para posições no MEC sob Bolsonaro.

Os outros dois integrantes propostos pelo grupo ligado a Tarcísio são também oriundos da área econômica e possuem experiência anterior com Guedes: Samuel Kinoshita (Fazenda) e Caio Paes de Andrade (Gestão), este último teve passagem pela presidência da Petrobras.

Além das articulações partidárias convencionais, aliados próximos aos Bolsonaro destacam que haverá espaço reservado à família no provável governo —mesmo que isso demande alterações legislativas.

O deputado federal Mario Frias —que ficou próximo ao grupo mesmo diante das polêmicas envolvendo financiamento investigado pelo filme “Dark Horse”— é apontado como possível ministro da Cultura caso Flávio vença as eleições; ele já começou a montar sua equipe prévia.

Marcos Degaut —ex-secretário de Produtos de Defesa— também surge como opção viável para assumir o Ministério da Defesa; após sua gestão pública ele atuou na Edge Group dos Emirados Árabes que controla empresas bélicas brasileiras.

By Portal de Canoas