Governo destaca oposição de Flávio e seus apoiadores ao término da escala 6×1; bolsonaristas rebatem com críticas à proposta “eleitoreira

No dia em que o Senado iniciou a discussão sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa acabar com a escala 6×1, os governistas se preparavam para utilizar esse debate como uma oportunidade para destacar as opiniões de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que já manifestaram sua oposição à proposta.

Após um encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou: “Estou curioso para ver como a equipe do Flávio Bolsonaro se posicionará. Estou ansioso para observar as ações que eles poderão tomar”.

Ao chegar ao Senado, o senador e ex-líder do governo Jaques Wagner (PT-BA) mencionou que o governo está disposto a votar, mas ressaltou que “é necessário ouvir o candidato a presidente Flávio” antes de prosseguir.

Os senadores próximos ao candidato do PL à presidência estão trabalhando para impedir a votação da PEC e preferem que se considere uma proposta alternativa apresentada por Flávio Bolsonaro.

<p“O que percebo é que os membros da oposição, ou seja, os apoiadores do Flávio Bolsonaro, não estão comparecendo para inviabilizar o debate sobre o fim do trabalho aos sábados”, declarou o senador petista. “O candidato precisa se manifestar e declarar sua posição contrária.”

<pQuando a PEC foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em setembro, aliados de Flávio Bolsonaro, incluindo seu coordenador de campanha Rogério Marinho (PL-RN), expressaram forte oposição à medida.

A partir desse momento, os governistas têm afirmado que a oposição está obstruindo a tramitação da PEC no Senado. O presidente Lula também fez essa afirmação várias vezes durante sua campanha.

Davi Alcolumbre mantém cronograma

Nesta terça-feira (6), ocorreu a primeira de cinco sessões necessárias para discutir e votar uma PEC no Senado.

De acordo com Guimarães, Davi Alcolumbre comprometeu-se a levar a proposta à votação antes do segundo turno das eleições. Há expectativa de que Alcolumbre presida a sessão, um ato interpretado como um sinal positivo para o governo. Considerada uma “bala de prata” para a campanha de Lula, a PEC enfrenta incertezas quanto à vontade política dos senadores para aprová-la. A pressão das urnas tende a diminuir após as eleições parlamentares.

Além disso, os resultados eleitorais já indicam um fortalecimento da direita no Senado, alterando as forças políticas dentro da Casa.

Senadores da base governista reconhecem que o cenário é complicado e não garantem que haverá apoio suficiente para votação. “Vamos tentar”, afirmou Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado.

O governo recebeu sinais otimistas de Davi Alcolumbre. Aliados afirmam que a PEC será tratada como “prioritária” e que ele seguirá o rito previamente acordado com o governo.

Nos corredores do Congresso, há quem sugira que uma reeleição de Lula seria favorável à estratégia política de Davi Alcolumbre.

A relação entre Alcolumbre e senadores ligados à direita tem se deteriorado nos últimos anos devido às críticas abertas por parte dos bolsonaristas sobre sua gestão, especialmente em relação às tensões com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Obstrução

Enquanto isso, membros da oposição classificam a PEC como uma “medida eleitoreira” e buscam maneiras de evitar sua votação. Uma das estratégias discutidas nesta terça-feira foi obstruir a sessão para impedir o quórum necessário.

A sessão começou com 47 senadores presentes – nenhum deles pertencente ao PL. Posteriormente, Efraim Filho (PL-PB) foi o primeiro membro do partido a registrar presença.

No entanto, opositores reconhecem que precisam moderar suas críticas devido à popularidade da proposta. Assim sendo, novas reuniões devem ser realizadas para definir a abordagem adotada em relação à matéria.

Nesta terça-feira, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a PEC apresentada pelo governo e reiterou seu apoio à proposta alternativa sugerida por Marinho.

A proposta da oposição prevê uma redução na jornada de trabalho com diminuição proporcional dos salários mediante acordo com os empregadores. “Minha proposta é muito superior porque oferece liberdade ao trabalhador para negociar sua carga horária. Vamos permitir que ele organize sua jornada conforme suas necessidades”, disse Flávio Bolsonaro.

By Portal de Canoas