A funcionária da Câmara dos Deputados, conhecida como Tuca, tinha um status curioso em Brasília: era tratada como chefe de Poder em reuniões na Esplanada dos Ministérios. Ela teve acesso ao orçamento secreto e foi alvo de uma operação da Polícia Federal em dezembro do ano passado por suspeitas de direcionamento de emendas parlamentares sem critérios republicanos.
Tuca era uma figura importante na gestão de alguns deputados e tinha controle detalhado de suas atividades diárias. Sua proximidade com prefeituras, deputados e ministérios levantou preocupações sobre a forma como os repasses bilionários estavam sendo administrados.
Em meio a um ambiente de pressão para liberação de recursos na Presidência, um simples telefonema de Tuca era capaz de interromper reuniões. Ela circulava por diversas pastas e vinculava sua atuação à execução de emendas parlamentares.
Apesar do reconhecimento de seu papel gerencial entre os parlamentares, Tuca é suspeita de direcionar emendas sem critérios técnicos, de acordo com a PF e o ministro responsável pelo caso. Ela teria enviado planilhas indicando a destinação de grandes valores sem detalhar as informações necessárias.
Congressistas e a própria Tuca afirmam que ela apenas cumpria ordens e que sua função era estritamente técnica. A investigação e seu afastamento são vistos como um ataque à Câmara, e muitos deputados trabalham para que ela retorne às suas funções.
A defesa de Tuca afirma que sua função era puramente técnica, seguindo os mesmos parâmetros da Câmara e do Senado, e que todas as informações apreendidas em seu local de trabalho eram públicas e poderiam ser encontradas em outra fonte oficial.
Três dias após a operação da PF, um deputado defendeu Tuca em plenário, destacando sua conduta como uma excelente funcionária que apenas repassava emendas, questionando a existência do orçamento secreto.

