Em 2025, as importações brasileiras de fertilizantes atingiram um novo recorde, totalizando 44,96 milhões de toneladas ao longo do ano, o que representa um aumento de 2,9% em relação a 2024, conforme informações da consultoria StoneX.
O Brasil possui uma grande dependência de fertilizantes importados para a produção de alimentos, sendo que cerca de 80% dos fertilizantes utilizados no país são provenientes do exterior. Isso faz com que o mercado seja sensível a preços internacionais, câmbio e questões geopolíticas.
O aumento das importações foi impulsionado pela aquisição de fertilizantes menos concentrados, estratégia adotada para reduzir custos em um cenário de preços elevados. Mesmo com essa mudança, a demanda permaneceu alta, refletindo os ajustes feitos pelos compradores para controlar os custos de produção no campo.
No entanto, é importante ressaltar que o aumento no volume importado não significa, necessariamente, um maior aporte de nutrientes. Fertilizantes menos concentrados são mais baratos por tonelada, mas exigem um maior volume para ter o mesmo efeito na lavoura, o que pode inflar os números de importação sem aumentar a produtividade.
Uma das estratégias observadas foi a priorização de fertilizantes menos concentrados, como sulfato de amônio (SAM) e superfosfato simples (SSP), em substituição a produtos mais concentrados, como ureia e fosfato monoamônico (MAP). Essa mudança teve impacto direto no perfil das importações ao longo de 2025.
Os dados mostram que as importações de ureia diminuíram 7%, enquanto as compras de SAM aumentaram quase 28%. No segmento de fosfatados, as aquisições de MAP caíram cerca de 25,7%, mas as importações de SSP cresceram 22% e as de NP, 31,7%.
O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, explicou que a escolha por fertilizantes menos concentrados implica na necessidade de aplicar volumes maiores para suprir adequadamente as lavouras. Isso explica o aumento do volume total importado.
A continuidade dessa tendência em 2026 é incerta e dependerá de fatores como disponibilidade, preços, relações de troca e custo-benefício dos produtos. É importante considerar a quantidade efetiva de nutrientes fornecida por cada tipo de fertilizante.
Esse aumento no volume importado também impacta o transporte, armazenagem e logística, gerando custos indiretos que acabam refletindo no preço final das commodities agrícolas.
O mercado deve ficar atento a variáveis externas, como o período de adubação nos Estados Unidos, negociações internacionais com a Índia, restrições às exportações chinesas e riscos de sanções comerciais, que podem influenciar a estratégia dos importadores brasileiros em busca de redução de custos e manutenção da competitividade.

