Flávio Bolsonaro instrui equipe a se abster de comentários sobre propostas até o dia da votação

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) optou por centralizar as declarações públicas sobre propostas de governo e questões relevantes nas palavras do próprio candidato até o segundo turno, que ocorrerá no domingo. Essa estratégia visa evitar novas polêmicas na fase final da eleição.

A decisão foi tomada após discussões internas a respeito das declarações da coordenadora econômica Daniella Marques sobre o Bolsa Família, bem como em meio a uma série de revelações sobre investigações envolvendo o senador. Segundo fontes próximas ao candidato, não houve a remoção de membros da equipe, mas ficou claro que Flávio deveria ser o principal porta-voz da campanha para prevenir informações conflitantes.

Paralelamente, a equipe de campanha está elaborando respostas para possíveis ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ocorrerão no último debate agendado para sexta-feira (23), na TV Globo.

A escolha de centralizar as falas foi feita na terça-feira (20), após reflexões sobre os recentes desgastes. A avaliação é de que, com a votação se aproximando, as declarações feitas por auxiliares sobre propostas ainda em negociação poderiam gerar novos conflitos e forçar o candidato a dar explicações.

Membros da campanha ressaltam que essa decisão não configura uma punição à Daniella, que permanece ativa nas discussões sobre o programa de governo e mantém a confiança tanto do candidato quanto de sua esposa, Fernanda Bolsonaro. Contudo, nos bastidores, há um entendimento de que a coordenadora econômica falhou ao explicar sua proposta para o Bolsa Família, fornecendo argumentos à campanha de Lula num momento em que Flávio busca conquistar votos entre eleitores de baixa renda.

Em entrevista à CBN Bahia na segunda-feira (19), Daniella apresentou uma proposta de transição de dois anos para beneficiários do programa que conseguissem emprego ou iniciassem um negócio. Essa afirmação gerou questionamentos sobre a possível interrupção do benefício após esse período. Em resposta à repercussão negativa, a equipe esclareceu que a proposta visa ampliar a proteção para famílias que aumentarem sua renda, enquanto Flávio reiterou seu compromisso com a manutenção e o reajuste do Bolsa Família.

A tentativa de evitar novos conflitos ocorre também no contexto das investigações relacionadas ao senador Flávio Bolsonaro. No último domingo, foi revelado que a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um inquérito investigando suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e seu amigo advogado Willer Tomaz. O caso agora está sob a responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes.

Na terça-feira, uma reportagem do jornal O Globo trouxe à tona detalhes fornecidos pela PF em um relatório, os quais descrevem os laços entre Flávio e Tomaz. Isso inclui viagens em jatinhos custeadas por uma empresa controlada pelo advogado e indícios de uma possível relação societária entre eles. O relatório ainda menciona que o senador estava listado como “usuário master” de uma conta bancária pertencente à Alcazar Holding, empresa gerida por Tomaz, com poderes administrativos até maio de 2025.

O documento também revela que uma empresa associada ao advogado financiou deslocamentos internacionais entre Portugal e França para Flávio e seus familiares em 2025. Além disso, foram identificadas viagens conjuntas dos dois para diversos destinos, incluindo um safári na África do Sul. Os investigadores acreditam que esses elementos corroboram a hipótese de um vínculo econômico entre o senador e o advogado, embora ambos neguem tais alegações.

By Portal de Canoas