O empresário e influenciador digital Pablo Marçal, associado ao PRTB, teve um papel crucial no treinamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o debate que ocorreu na TV Bandeirantes no último domingo (18), em São Paulo. Durante essa preparação, Marçal aconselhou Flávio a adotar posturas que provocassem e desestabilizassem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sugerindo que ele caminhasse e gesticulasse atrás de Lula enquanto este falava, com a intenção de incitar reações do público presente. Além disso, o ex-coach encorajou Flávio a realizar ataques pessoais tanto contra Lula quanto contra a família do presidente.
Com a possibilidade de assumir o futuro “Ministério da Prosperidade”, caso Flávio seja eleito, Marçal buscou reforçar sua conexão com o candidato. Ele ganhou notoriedade durante a disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024, onde se destacou por suas críticas pessoais ao apresentador José Luiz Datena, que na época era filiado ao PSDB, e ficou marcado por ter recebido uma cadeirada durante um debate.
A campanha de Marçal foi uma das mais agressivas registradas na cidade. Ele promoveu um “campeonato de cortes” de vídeos online para espalhar informações falsas e atacou Guilherme Boulos (Psol) na fase final do primeiro turno, divulgando um laudo médico falso, supostamente assinado por um profissional já falecido, tentando ligar seu oponente ao uso de drogas. Devido ao seu comportamento nas eleições, Marçal foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral.
No treinamento direcionado a Flávio Bolsonaro para confrontar Lula, também esteve presente o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), junto ao marqueteiro Duda Lima. A atuação nas redes sociais por parte de Marçal e Nikolas contra Lula levantou questionamentos legais sobre a campanha do presidente.
Em resposta a essas questões, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Boas Cueva, decidiu na segunda-feira (19) que tanto Nikolas quanto Marçal não poderão mais compartilhar conteúdos digitais que já foram alvo de decisões judiciais para remoção em seis processos anteriores na Justiça Eleitoral.
O ministro ainda ordenou que as plataformas Meta e X proíbam o impulsionamento pago dos conteúdos relacionados às contas de ambos os influenciadores e assegurem que eles não recebam tratamento privilegiado na veiculação da propaganda eleitoral até as 23h59 do dia 25 de outubro, data do segundo turno. Caso contrário, será aplicada uma multa diária de R$ 500 mil. Publicações sem impulsionamento seguem autorizadas.
A decisão foi fundamentada pela proximidade do segundo turno das eleições, justificando assim a restrição a novas publicações.
As plataformas mencionadas devem manter registros dos conteúdos referidos na ação judicial e, em até 24 horas, fornecer informações sobre o alcance dessas publicações e como estão sendo recomendadas. Essa decisão será analisada pelo plenário do TSE.
Essa medida decorreu de um pedido urgente em uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) apresentada pela candidatura de Lula à presidência. A equipe jurídica do petista sustentou que os dois seriam responsáveis por disseminar desinformação em favor da campanha de Flávio fora dos canais oficiais.
No processo judicial, foram apresentados exemplos como uma suposta republicação feita por Marçal de uma montagem previamente proibida e a divulgação por Nikolas de uma captura de tela atribuída à deputada eleita Ana Elisa (PT), considerada falsa. Além disso, um levantamento indicava que o alcance das publicações feitas pelo parlamentar era desproporcionalmente superior ao de outros candidatos.
Ao avaliar os pedidos feitos na AIJE, Cueva recusou tanto a suspensão geral dos pagamentos recebidos pelos dois por meio da monetização quanto os relatórios diários solicitados. Ele também vetou o pedido para proibir ofertas financeiras ou prêmios em troca de promoção eleitoral, entendendo que essa prática já é vedada e não foram apresentadas ações específicas que justificassem tal medida.
