A abstenção nas eleições de 2026 pode se revelar um elemento crucial, possivelmente influenciando o resultado já no primeiro turno. Essa análise é feita por Thiago Vidal, diretor de análise política da Prospectiva, em conversa com a WW.
Ele aponta que a combinação de uma alta taxa de abstenção com a contagem dos votos válidos pode ser determinante para que a eleição se resolva sem a necessidade de um segundo turno.
Vidal observa que o contexto atual de desconfiança nas instituições, nos partidos e nos próprios candidatos tende a elevar o índice de abstenção em comparação ao histórico brasileiro.
“A abstenção ganha importância em um quadro onde há pouca credibilidade nas instituições, nos partidos e nos candidatos”, afirmou. “Precisamos observar se essa tendência realmente se concretiza e se a abstenção será maior do que o habitual no Brasil”, completou.
Crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas
O especialista enfatiza que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem demonstrado um aumento nas intenções de voto que supera o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para Vidal, é ainda mais importante monitorar quem ocupa as primeiras colocações nas pesquisas neste momento.
“O senador Flávio está alcançando um crescimento que Lula não conseguiu replicar”, comentou. Ele recordou que, há seis meses, Flávio era visto como um candidato menos forte na disputa, mas agora há discussões sobre sua possibilidade de vitória já no primeiro turno.
Análise das estratégias eleitorais
A analista política da CNN, Jussara Soares, fez uma avaliação das posturas das campanhas. Ela destacou uma percepção interna no PT sobre ter dedicado tempo excessivo ao tema da soberania, o que acabou desconectando a campanha da realidade do eleitorado.
“Flávio Bolsonaro optou por uma campanha mais focada nas questões financeiras que interessam ao eleitor”, disse ela. Essa estratégia, segundo a análise da própria equipe de Flávio, teria sido fundamental para sua ascensão nas pesquisas.
Jussara também mencionou que a crise envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal) gerou um clima de frustração na população, o que pode favorecer candidatos com propostas centradas na economia e nas necessidades diárias dos cidadãos.
No estágio final da campanha, segundo ela, Flávio Bolsonaro deve continuar a promover o voto útil para tentar garantir o primeiro lugar. Já Lula deve persistir em desmantelar a imagem do adversário e investir em iniciativas como a MP das Bets para tentar se destacar. (Com informações do portal CNN)
