Negociação fraudulenta: Banco Master adquire precatório de usina e envia dinheiro para o exterior em transações suspeitas

O Banco Master se envolveu em uma negociação fraudulenta ao adquirir um precatório de uma usina do Grupo João Santos, que estava em recuperação judicial, e incluir o ativo em seu balanço enquanto operava no mercado financeiro. Esse negócio suspeito resultou na transferência de dinheiro para o exterior por antigos proprietários do conglomerado.

O antigo dono do grupo, Fernando Santos, defendeu a transação, afirmando que estava dentro dos padrões de mercado, considerando a situação do processo na época. No entanto, a administração atual da empresa declarou que a decisão foi tomada pela gestão anterior de maneira isolada, resultando em um prejuízo de R$ 1,8 bilhão. O proprietário do Master, Daniel Vorcaro, não se pronunciou sobre o assunto.

Em setembro de 2025, a Justiça Federal de Pernambuco confirmou a fraude na operação, bloqueando o crédito devido aos débitos da empresa com a União. Isso impediu o Master de repassar o ativo adquirido de forma irregular.

A transação envolveu um precatório bilionário do Grupo João Santos, um dos principais conglomerados do Brasil até o início dos anos 2000. O Master adquiriu esse crédito por um valor significativamente menor do que seu real montante, tratando-se de um “pré-precatório”. Esse tipo de ativo é um valor que uma empresa tem a receber da União, cujo processo judicial ainda não foi finalizado.

O Master, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro, comprou esse crédito enquanto emitia CDBs com promessas de rentabilidade muito acima da média do mercado.

Esse precatório teve origem em uma condenação da União por conta de prejuízos causados às usinas do setor sucroalcooleiro devido à fixação de preços pelo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) entre 1989 e 1994. Apesar da condenação em 2012, o processo continuou em disputa, resultando no valor atualizado do precatório em R$ 2,2 bilhões.

O antigo controlador do Grupo João Santos, Fernando Santos, realizou a venda do ativo para o Master, que ocorreu em várias parcelas durante 2019 e 2020 para fundos de investimento ligados ao banco. Algumas suspeitas apontam para o uso desses fundos para operações no mercado financeiro.

Com a venda, o conglomerado pernambucano recebeu R$ 180 milhões, quando o precatório já valia R$ 1 bilhão. Documentos entregues à Justiça indicam que os fundos Amazonita e Horizon, nos quais o Master era o principal cotista, estiveram envolvidos na transação, levantando mais questionamentos sobre as práticas do banco. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

By Portal de Canoas