Um advogado especializado em direito bancário e mercado de capitais ajudou a promover a aproximação entre Daniel Vorcaro e Augusto Lima, que se tornariam sócios no Banco Master, e a coordenar grande parte das transações do banco. Daniel Lopes Monteiro, sócio do escritório Monteiro Rusu, adquiriu ações do BRB em uma operação com Vorcaro. Reconhecido pelo PT na Bahia, Monteiro foi homenageado pela Assembleia Legislativa do estado antes de se dedicar ao banco e acumular, conforme fontes próximas, uma considerável fortuna.
A relação com o banco tornou-se tão estreita nos últimos anos, devido à grande demanda jurídica do cliente, que o advogado possuía uma sala no edifício Victor Malzoni, onde funcionava o Banco Master em São Paulo, conforme relatos de pessoas que tiveram contato com a instituição. Monteiro acumulou um patrimônio que incluiria desde uma coleção de carros luxuosos até um avião, de acordo com essas fontes.
A aproximação teve início com o Credcesta, operando cartão de crédito consignado na Bahia, que se tornaria um dos ativos principais do banco. O Credcesta foi criado pela Empresa Bahia de Alimentos (Ebal) e Monteiro participou da venda para a sociedade NGV SPE Empreendimentos e Participações, que transferiu os direitos de operação para a PKL One, de Augusto Lima.
Monteiro já assessorava Lima quando apresentou a proposta de compra do Credcesta a Vorcaro em 2018. Na época, Vorcaro era diretor do Banco Máxima, posteriormente renomeado, e adquiriu 50% da PKL One por R$ 22 milhões.
O advogado e Lima já eram conhecidos no círculo de poder da Bahia, facilitando o acesso de Vorcaro. Nascido em São Paulo, Monteiro recebeu o título de Cidadão Baiano pela Assembleia Legislativa da Bahia no final de 2024, graças a suas contribuições à sociedade baiana e ao fortalecimento do serviço público no estado.
Monteiro, com passagem por escritórios renomados, passou a prestar consultoria jurídica frequente para as operações do Master após a transação do Credcesta, incluindo a estruturação de fundos administrados pela Reag para investimentos do banco. Ele também esteve envolvido em operações como a aquisição da Will Financeira pelo Master, que passou a ser denominado Will Bank, e do Banco Voiter (anteriormente Indusval), assim como a venda da seguradora Kovr.
O advogado também esteve presente nas negociações em torno do investimento do Master no BRB e adquiriu ações do Banco de Brasília, em conjunto com Vorcaro. Monteiro comprou ações do banco estatal detidas pelo fundo Delta, administrado pelo Master, que possuía R$ 30 milhões em ações do BRB em novembro.
Outro fundo, o Borneo, gerido pela Ciabrasf (do grupo Reag), vendeu parte das ações do BRB para Monteiro e para o fundo Celeno, administrado pelo Master, que possuía R$ 129,8 milhões em papéis do banco em maio de 2025. Posteriormente, a Justiça do Distrito Federal impediu o BRB de finalizar a compra do Banco Master, atendendo a pedido do Ministério Público.
As ações do Banco de Brasília que estavam sob posse do fundo Celeno passaram para as mãos de João Carlos Mansur, controlador da Reag, que recentemente ingressou no quadro societário do BRB. Todas essas operações foram estruturadas de forma a permitir que Vorcaro adquirisse participação no BRB de maneira fragmentada, evitando a divulgação ao mercado.
O Banco Master está sob suspeita de irregularidades na venda de crédito consignado para aposentados e pensionistas, sendo alvo de investigações da CPI do INSS. A operação do Credcesta foi fundamental para impulsionar o banco nesse setor, até que Lima encerrou sua sociedade com o Master no ano passado, levando consigo o Credcesta e o Voiter. Esses ativos deram origem ao Banco Pleno.
Atualmente, o Banco Central está em processo de liquidação do Master, Will Bank e Pleno, acarretando em um passivo superior a R$ 50 bilhões para o Fundo Garantidor de Créditos. A complexa relação financeira e política entre essas instituições está sendo investigada pela Polícia Federal.
Ao ser contatado, Daniel Monteiro afirmou que foi apresentado a Daniel Vorcaro por Augusto Lima, para quem já prestava serviços jurídicos. Sua atuação para o Banco Master derivou dessa relação profissional pré-existente, segundo ele. O advogado negou, no entanto, participação em reuniões para apresentar a operação Credcesta ao Banco Máxima ou encontros com o BRB referentes à venda do Banco Master, ressaltando que esses processos foram conduzidos por outro escritório. As informações são do jornal Valor Econômico.

