O ex-presidente Jair Bolsonaro foi interrogado na prisão, em Brasília, como parte de uma investigação sobre possíveis crimes contra a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro foi ouvido na unidade conhecida como Papudinha, na segunda-feira passada, na condição de investigado. Este procedimento faz parte de um inquérito em andamento conduzido pelas autoridades competentes.
A investigação visa esclarecer se Bolsonaro cometeu o crime de calúnia ao afirmar que Lula tinha alguma ligação com traficantes de drogas atuando no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. As declarações em questão foram feitas pelo ex-presidente em março de 2025 e remetem a eventos ocorridos durante a campanha eleitoral de 2022.
Na ocasião, Lula participou de um evento no Complexo do Alemão e usou um boné com a sigla “CPX”. Na época, surgiram informações falsas nas redes sociais sugerindo que “CPX” estava relacionado a uma facção criminosa na região. Estas publicações insinuaram, sem provas, uma conexão entre o candidato e o tráfico de drogas local, uma narrativa que posteriormente foi desmentida.
Além da acusação de calúnia, Bolsonaro também está sendo investigado por possível prática de injúria. O inquérito considera postagens feitas pelo ex-presidente na rede social X (antigo Twitter), nas quais ele usou termos considerados ofensivos à dignidade e honra de Lula, como “cachaça” e “patifaria armada”. Essas declarações também estão sendo avaliadas pelas autoridades.
O inquérito foi aberto a pedido do Ministério da Justiça, que solicitou a investigação formal das declarações e postagens. A defesa de Bolsonaro argumenta que as falas do ex-presidente estão dentro do contexto da “crítica política” e, portanto, protegidas pela liberdade de expressão no debate público. Apesar desse argumento, a investigação segue em andamento, sem conclusão até o momento.
O incidente principal deste caso remonta a um evento de campanha realizado por Lula durante a eleição presidencial de 2022. No evento, no Complexo do Alemão, o então candidato usou um boné com as iniciais “CPX”. O uso desse acessório foi explorado por oponentes políticos nas redes sociais como uma insinuação de ligação com organizações criminosas.
Posteriormente, foi esclarecido que “CPX” é uma abreviação informal de “complexo”, um termo comum para designar conjuntos de comunidades, como “Complexo do Alemão”, “Complexo da Penha”, “Complexo da Maré”, “Complexo do Chapadão” e “Complexo do Salgueiro”. (Com informações da colunista Julia Duailibi)

