O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) expressou a um aliado na noite de terça-feira (20) que se sente desconfortável com os rumores sobre disputas no campo da direita pela candidatura presidencial e reforçou que seu projeto presidencial é sério e que não está considerando recuar. Antes do anúncio de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou a visita que faria nesta quinta (22) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando problemas de agenda, Flávio teve essa conversa. O adiamento contribuiu para especulações de que Tarcísio estaria descontente com a escolha do ex-presidente por seu filho mais velho como candidato.
A solicitação da visita foi feita pela equipe de Bolsonaro. Segundo Flávio, o propósito era assegurar ao governador que sua reeleição em São Paulo era a prioridade. Tarcísio, que ainda tem o desejo de concorrer ao Palácio do Planalto, se irritou. Mesmo tendo declarado apoio a Flávio, o governador passou a enxergar a visita como um risco político após a repercussão das declarações do senador.
O encontro deixou de ser apenas um gesto de solidariedade e começou a ter tons de compromisso eleitoral com a família, podendo abrir espaço para pressões para que Tarcísio se envolva mais intensamente na campanha do pré-candidato. Aliados indicam que ele foi colocado em uma posição que tentava evitar: a de atuar como subordinado em uma estratégia determinada pela família Bolsonaro, em um cenário em que tenta manter flexibilidade para decidir seu papel em 2026. Na quarta-feira, Flávio afirmou que seu pai aconselharia o governador a focar em sua reeleição em São Paulo:
“Tarcísio ouvirá de Bolsonaro que está realizando um grande trabalho como governador de São Paulo e que sua reeleição é crucial para a estratégia nacional de derrotar o PT. Eleições presidenciais estão fora de cogitação para ele”, afirmou o senador.
O cancelamento causou estranhamento entre os aliados. O líder de um grande partido do Centrão considerou a decisão do governador como “estranha”, percepção que também foi compartilhada pelo círculo próximo de Flávio. O governador sentiu-se pressionado para apoiar mais explicitamente o filho de Jair Bolsonaro e sabia que seria cobrado pelo ex-presidente. Tarcísio não gosta de ser pressionado e, por isso, optou por recuar. Os aliados de Flávio agora aguardam para ver se haverá um novo pedido de visita ao ex-presidente.
A orientação do governador é não fechar portas nem assumir compromissos adicionais no momento. A estratégia é adiar para abril qualquer decisão mais clara sobre o envolvimento na eleição presidencial, argumentando que, com Bolsonaro preso e o bolsonarismo em reorganização, qualquer gesto pode ser interpretado como um alinhamento. (Com informações do jornal O Globo)

