O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está atento ao cenário da política internacional em um ano eleitoral, percebendo um peso maior na rotina brasileira em comparação com seus mandatos anteriores. A América do Sul está passando por mudanças na coloração política, com líderes estrangeiros mais à direita sendo melhor vistos no Brasil, enquanto antigos aliados de esquerda do PT estão perdendo poder ou vendo sua avaliação despencar no país. No entanto, o discurso da “soberania” após intervenções dos Estados Unidos pode beneficiar o petista.
Desde que iniciou seu atual mandato, Lula testemunhou a esquerda perdendo eleições e deixando o poder em países como Argentina, Bolívia e Chile. A Venezuela, da qual ele se afastou em 2024 devido ao endurecimento antidemocrático do chavismo, foi alvo de ataques dos EUA que levaram à captura de Nicolás Maduro. Na Colômbia, o esquerdista Gustavo Petro enfrenta ameaças recorrentes de Donald Trump, e o país está prestes a ir às urnas com a oposição como favorita. O Uruguai foi o único país no continente que mudou da direita para a esquerda desde 2023.
Segundo dados da pesquisa Latinobarómetro, que avalia a imagem de presidentes do continente americano, 58% dos brasileiros tinham uma visão negativa de Maduro, enquanto apenas 5% o viam de forma positiva em 2024. Esse foi o pior índice registrado para um presidente venezuelano no Brasil. Em 2020, a avaliação negativa de Maduro era de 42% e a positiva, 7%.
O uso do regime venezuelano pela oposição ao PT tem se mostrado mais eficaz do que há duas décadas, quando Hugo Chávez tinha uma avaliação negativa de 26% no Brasil e 13% de positiva. A familiaridade dos brasileiros com os líderes venezuelanos aumentou ao longo dos anos: em 2005, 55% não tinham opinião sobre Chávez, enquanto em 2024, 33% não opinaram sobre Maduro.
Os dados do Latinobarómetro também indicam que, se a avaliação de George W. Bush era pior do que a de Chávez no Brasil em 2005, a situação pode ser diferente com Trump. Na última pesquisa, Trump recebeu notas positivas de 26% dos brasileiros, com 37% avaliando-o negativamente, um índice menor do que ele mesmo tinha em 2020.
Apesar das consequências das tarifas impostas posteriormente, outros líderes de direita e aliados de Trump têm ganhado destaque no Brasil e em países vizinhos. Nayib Bukele, presidente de El Salvador, se tornou o líder mais bem avaliado na América Latina, enquanto a avaliação de Milei, embora atrás de Lula, supera a de outras figuras de esquerda. Bukele, na área da segurança, e Milei, na econômica, se tornaram os principais “modelos” propagados pela direita para se contrapor ao presidente brasileiro.

