Em virtude das eleições de 2026, a fraude no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) provavelmente terá um papel proeminente na corrida presidencial. Muitos políticos se beneficiaram do roubo aos aposentados, e o debate em torno desse assunto já começou, como pode ser visto durante as sessões da CPI do INSS, que evidenciam a polarização política.
Logo após a operação Sem Desconto ser deflagrada pela PF (Polícia Federal), e preocupado com o impacto negativo do escândalo nas eleições, o presidente Lula (PT) tomou medidas drásticas. Ele afastou aliados políticos, demitiu o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e pressionou o Ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), a renunciar.
Posteriormente, em uma tentativa de gerenciamento de crise, o governo federal trabalhou para que o INSS transmitisse a imagem de ser diligente e intolerante com fraudes. Rapidamente, um acordo foi firmado no STF (Supremo Tribunal Federal), neutralizando condenações judiciais caras contra o INSS e permitindo uma indenização parcial rápida para as vítimas do roubo.
Nos meses seguintes, o escândalo levou a uma mudança temporária no comportamento institucional do INSS, com uma súbita preocupação com a moralidade administrativa. A autarquia passou a ser inclemente com situações que pudessem manchar sua reputação, tomando medidas preventivas.
A Crefisa, que cuidava da folha de pagamento do INSS desde 2019 e havia vencido um leilão promissor para o INSS no valor de R$ 15 bilhões, foi repentinamente penalizada em agosto de 2025 por várias irregularidades já conhecidas pelos aposentados.
Por outro lado, o INSS foi mais condescendente com o BMG. Em outubro de 2025, as instituições assinaram um acordo para que o banco devolvesse R$ 7 milhões a cerca de 100 mil beneficiários do INSS que foram cobrados indevidamente em empréstimos consignados, permitindo que o banco continuasse operando.
No mesmo período, o INSS suspendeu a oferta de novos consignados devido a práticas irregulares de empresas como Facta Financeira, Banco Inter, Cobuccio e Paraná Banco, que cobravam seguro sem autorização. Em novembro, essas instituições tiveram uma segunda chance.
Em dezembro, o Agibank teve suas operações de crédito consignado suspensas após serem descobertas graves irregularidades, como a assinatura de contratos com pessoas falecidas.
O pente-fino realizado pelo INSS resultou na redução de 87 para 54 no número de bancos autorizados a conceder empréstimos consignados.
A última empresa a sofrer repreensão foi a Provider Soluções Tecnológicas, que tem uma filial em Caruaru (PE), reduto eleitoral de Wolney Queiroz, o atual ministro da Previdência Social. A relação entre o proprietário da Provider, João Luiz Dias Perez, e Wolney Queiroz está sendo investigada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) no TCU (Tribunal de Contas da União).
Em resposta, Wolney Queiroz declarou que nunca recebeu doações eleitorais da Provider e que sua interação com a empresa foi apenas na condição de contratado, sem qualquer tratamento preferencial. O ministro explicou que não se envolve em licitações, gerenciamento contratual ou fiscalização dos contratos do INSS.
Acusada de manipular indicadores de qualidade no atendimento aos segurados, a Provider foi obrigada a pagar R$ 1,2 milhão de ressarcimento ao INSS, além de receber uma multa de R$ 57 mil e ser proibida de participar de futuras licitações.
Com uma longa lista de credores e problemas antigos, a Provider está em recuperação judicial há uma década. Seus funcionários sofrem com salários atrasados e abaixo do mínimo, o que afeta sua cobertura previdenciária.
Em sua defesa, a Provider negou irregularidades e qualquer associação política partidária, afirmando que é auditada pelo INSS e que os salários dos funcionários são baseados no salário mínimo por hora trabalhada. A presença de um dos sócios da Provider no Ministério da Previdência teve como objetivo tratar de questões administrativas.
O INSS tem estado envolvido com empresas, políticos e gestores envolvidos em sérias denúncias há algum tempo. Com o escândalo das fraudes e as eleições se aproximando, a autarquia busca melhorar sua imagem de integridade administrativa. (Opinião de Rômulo Saraiva)

