Mesa redonda discute colapso ferroviário e seu impacto na economia do Rio Grande do Sul

O debate realizado no encontro Tá na Mesa, promovido pela Federasul, trouxe à tona uma avaliação preocupante sobre a situação da logística no Rio Grande do Sul. Mediado por Rodrigo Souza, presidente da entidade, a discussão entre João Edacir Calegari, presidente do SindiferGS, e João Vertinelli, diretor-presidente do Tecon Rio Grande, revelou um cenário crítico para a infraestrutura ferroviária gaúcha.

Ficou evidente que a malha ferroviária do Estado está longe de atender às demandas necessárias para acompanhar o crescimento econômico. Trechos sem uso, limitações de capacidade de carga, restrições de velocidade e a falta de investimentos estruturais contribuem para encarecer o frete, reduzir a competitividade e afastar potenciais investidores.

Calegari ressaltou que a ferrovia não tem cumprido seu papel estratégico, gerando um aumento significativo nos custos logísticos em setores como grãos, celulose e contêineres. Essa dependência quase total do modal rodoviário faz com que o Rio Grande do Sul tenha custos elevados de produção e exportação.

Vertinelli destacou o impacto direto no Tecon Rio Grande da falta de uma ferrovia eficiente conectada ao porto, o que limita a capacidade de expansão e competitividade do terminal. A ausência de integração modal prejudica a produtividade e restringe o potencial de crescimento do Estado em relação a outros hubs do Cone Sul.

As recentes enchentes aceleraram um processo de deterioração que já vinha se arrastando há décadas. Danos estruturais, interrupções prolongadas e aumento nos custos de manutenção evidenciam a fragilidade do sistema. Para a Federasul, a reconstrução do Rio Grande do Sul passa necessariamente pela reestruturação da logística, incluindo a reinstauração da ferrovia como peça central da estratégia.

Nesse contexto, o debate também abordou a dimensão regulatória. O deputado estadual Felipe Camozzato, presidente da Frente Parlamentar das Ferrovias e autor da PEC das Ferrovias, defende a modernização do marco regulatório como forma de atrair capital privado e permitir a entrada de novos operadores. O objetivo é estimular a concorrência intramodal, estabelecer metas de desempenho mensuráveis e reduzir barreiras que impedem investimentos.

A presença de Camozzato nessa discussão é vista como crucial para desencadear mudanças. Sem um ambiente regulatório moderno e previsível, o Rio Grande do Sul continuará preso a um modelo que não promove eficiência nem competitividade.

A conclusão do encontro foi clara: o colapso na infraestrutura ferroviária não é apenas um problema estrutural, mas um desafio econômico que afeta a produtividade, as margens das indústrias, a capacidade exportadora e a atratividade para novos investimentos. É fundamental que o Estado assuma um papel de liderança nas negociações com o governo federal para garantir que o novo ciclo de concessões ferroviárias contemple metas claras, uma governança sólida e uma integração eficaz com os portos e rodovias.

O encontro Tá na Mesa deixou claro que o Rio Grande do Sul está diante de uma escolha estratégica. É preciso reestruturar a ferrovia com uma visão de longo prazo, ou então continuará pagando um preço elevado para produzir, transportar e competir, em um momento crucial para acelerar a recuperação econômica do Estado. (por Gisele Flores)

By Portal de Canoas